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Fui!

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É tempo de ir. Depois de cinco anos e dois meses, me despeço deste blog Inaugurei este blog em 31 de maio de 2015. Desde então, aquele post de estreia foi o único em que me permiti adotar um tom pessoal. Este será o segundo. É a despedida. Despedidas são sempre dolorosas, mas sempre inevitáveis. E sempre necessárias para que a vida siga adiante.
Foram, ao longo de cinco anos e dois meses, quase 1.700 posts (pela minha conta, uns 330 por ano). Escrevi, portanto, quase todo dia. Em geral, escrevia logo que acordava, às cinco da manhã, antes de pôr café na boca, muitas vezes antes mesmo de ler os jornais. Publicava imediatamente, aqui de casa mesmo. Adaptei-me ao trabalho remoto bem antes da pandemia.
Nesse período, escrevi sobre tudo. Sobre a Operação Lava Jato e o impeachment de Dilma Rousseff. A crise dos refugiados na Europa e o terrorismo do Estado Islâmico. A polarização política e a ascensão do nacional-populismo. As eleições de Donald Trump e de Jair Bolsonaro. O teto de gastos e a reforma da Previdência. A tecnologia da informação e esta era de notícias fraudulentas, mentiras e pós-verdades. Nos últimos meses, quase somente sobre a pandemia.
Trabalhar em meio à revolução digital é, ao mesmo tempo, um aprendizado e um privilégio. Se a internet trouxe tantas dores para o jornalismo, também trouxe a oportunidade de poder publicar em tempo real – e nenhum lugar faz isso tão bem no Brasil quanto o G1.
Mesmo trabalhando em casa diante do meu computador, jamais tive a sensação de estar sozinho. Jornalismo é um trabalho, na essência, coletivo. Embora o blog carregue o meu nome, não é apenas meu. Não há palavras capazes de expressar a gratidão a todos aqueles que me ajudaram a construí-lo e a mantê-lo: Ali, Márcia, Renato, Cláudia, Marcílio, Athos, Thiago, Ardilhes, Dennis, Vítor, Carol, Gulherme, Mônica, Renata e tantos outros e tantas outras. A todos e todas vocês, e aos que imperdoavelmente esqueço de mencionar, muito, muito obrigado!
Um dos decanos da imprensa brasileira, Claudio Abramo, definia nosso ofício como “o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter”. Em nenhuma redação onde trabalhei durante 27 anos de jornalismo, encontrei tanta inteligência e tanto caráter como no G1.
Se saio daqui, é porque surgiu um desafio tentador. Assumo a partir de agosto a editoria de Opinião do jornal O Globo, onde já fui recebido com carinho e alegria comoventes. Por isso, fiquem tranquilos, não pararei de escrever. Escrever é para mim mais que um ofício, mais que um vício. Escrever é uma função vital e, se um dia parar de escrever, é simplesmente porque morri.
É tempo de ir agora. Tempo de soltar as amarras dos cabeços, recolher o cordame e enfunar as velas. O mar intimida, mas não sinto medo. A Terra é redonda, não vou cair.
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