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O ex-rei e um presente de 65 milhões de euros à ex-amante

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Investigado pela Justiça em esquema de propinas vinculado à Arábia Saudita, destino de Juan Carlos I na abalada monarquia espanhola será decidido pelo atual rei, o filho Felipe. O rei da Espanha, Felipe VI (esquerda) e seu pai, o rei emérito Juan Carlos I, em foto de 6 de janeiro de 2018
Juanjo Martín/Pool/AFP
O premiê Pedro Sánchez jogou para o rei Felipe VI a responsabilidade sobre o destino do pai, o rei emérito Juan Carlos I, protagonista num escândalo que mancha, mais uma vez, a imagem da monarquia espanhola. Deixar o Palácio da Zarzuela e exilar-se são especulações mais cogitadas para o monarca de 82 anos, que ocupou o trono durante quatro décadas e abdicou há seis anos em favor do filho.
A Suprema Corte do país investiga o envolvimento do antigo rei num esquema de propinas vinculado ao contrato de um trem de alta velocidade entre as cidades sauditas sagradas de Meca e Medina. Juan Carlos teria recebido o equivalente a US$ 100 milhões do falecido rei Abdullah, depositados numa conta na Suíça.
O que intriga a Justiça é que 65 milhões de euros foram doados 2012 pelo rei a uma ex-amante, a alemã Corinna Larsen, em transferência para uma conta nas Bahamas. Um presente, as palavras dela, por “amor e gratidão”. Parte do processo da Justiça suíça já está no Ministério Público da Espanha. Agora é rastrear os motivos da origem, da transferência e saber também por que o dinheiro não foi declarado.
O assunto foi ofuscado pela pandemia do novo coronavírus que castigou duramente o país, mas voltou com força com revelações sobre o processo judicial. Desde que renunciou ao trono, Juan Carlos perdeu o privilégio da imunidade e pode ser convocado a depor.
O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, deixa claro o desagrado — “somos testemunhas de informações inquietantes e perturbadoras” — e se esforça para demarcar a diferença entre o rei emérito e o atual. Em março, Felipe VI renunciou à herança do pai e suspendeu sua pensão anual de 200 mil euros.
Favorável a limitar a inviolabilidade do rei ao exercício do cargo, como chefe de Estado, Sánchez sustenta que não há espaço para a impunidade. A admiração dos espanhóis por seu ex-chefe de Estado, que teve papel fundamental na transição democrática do país após a morte do ditador Francisco Franco, já estava maculada antes da abdicação.
Em 2012, o país afundava numa grave crise econômica que mantinha o desemprego em 25%, mas Juan Carlos caçava em elefantes em Botsuana. Os súditos só souberam da viagem secreta, em que estava acompanhado de Corinna, porque o rei caiu, quebrou o quadril e teve de ser operado.
A indignação popular renovou movimentos antimonarquistas, fortalecidos anos depois quando a infanta Cristina e o marido Iñaki Urdangarin foram acusados em uma investigação de corrupção. Condenado, o cunhado do atual rei está preso. A princesa perdeu o título de duquesa e foi afastada da Casa Real. Agora, o ex-monarca enterra a biografia de herói.
É difícil medir a confiança da população da monarquia espanhola porque há cinco anos os principais institutos de opinião do país não abordam o tema. O termômetro acaba sendo as redes sociais, onde o prestígio da realeza vai de mal a pior.
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